Cores e Sabores #2
Dexter lança coleção de camisetas; a diretora, roteirista e produtora Ava DuVernay agora tem seu próprio sabor de sorvete; o novo programa de rádio de Rappin´ Hood e os dreadlocks para negros carecas
A edição #2 da Seis e Um Newsletter traz o lançamento da linha da camiseta do rapper Dexter, o sorvete de Ava DuVernay e mais um pouco do melhor do universo do negro neste agitado 2022.
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E antes do apagar das luzes, o ano de 2022 segue trazendo boas notícias para o mercado de produtos ligados a artistas negros. No Brasil, o rapper Dexter lançou uma série de camisetas em uma colab com a marca de streetwear Chronic. Inspirada no álbum “Exilado, Sim; Preso, Não” (2005), a coleção “Chegando Pro Arrebent*” conta com sete modelos, e celebra oito anos de parceria entre marca e artista.


“A escolha do Dexter para essa colaboração se dá por tudo que ele representa como ser humano e pessoa pública. Poder contar essa história através da moda, é sensacional. É muito representativo! O Dexter representa muito dos valores que acreditamos”, explica Caio Venom, designer da marca Chronic.
A cervejaria carioca Ouse Beer (RJ) colocou no mercado um rótulo chamado Lélia. No rótulo, uma mulher negra e a frase: “ouse ser quem você quiser”. É uma homenagem da cervejeria à intelectual, autora, política, professora, filósofa e antropóloga negra Lélia Gonzalez (Belo Horizonte, 1935-1994).
Nos Estados Unidos, a diretora de cinema e roteirista Ava DuVernay agora tem seu próprio sabor de sorvete da marca Ben & Jerry´s. Além de ter seu nome em um gelado que mistura baunilha com caramelos salgados, Ava também estampa o rótulo do produto, que recebeu o nome de “Lights! Caramelo! Ação!”.
Ava é a primeira mulher negra a estampar seu rosto em uma embalagem da famosa marca de sorvete (!).
Para efeito de comparação, é como se — aqui no Brasil — uma marca de sorvete colocasse no mercado um sabor de sorvete com o nome e o rosto do ator, escritor e diretor de cinema Lázaro Ramos.
Além do gigantesco buzz em torno do lançamento, o sorvete também ajudará uma causa beneficente — e importante. Os lucros da venda do produto serão destinados à Aliança ARRAY, fundação que Ava fundou em 2011 para aumentar a representação de artistas negros e diretoras mulheres.
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E Lázaro Ramos segue com sua altíssima carga de produção de cultura em diversas áreas. Em sua faceta escritor, Lázaro lançou o livro “Você Não É Invisível”, produzido durante a fase mais restritiva da pandemia da Covid-19.
Com ilustrações de Oga Mendonça, o livro é a primeira ficção juvenil de Lázaro. Em entrevista à CNN Brasil, o escritor disse “escrevi o livro também para o adolescente que fui e queria ouvir que não era invisível”. E falou que sempre começa seus livros sem saber para qual público está escrevendo naquela momento.
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Autor do ótimo “Africano — Uma Introdução Ao continente”, e pesquisador visitante na London School of Economics and Political Science (LSE), Kauê Lopes do Santos escreveu um artigo de leitura [quase] obrigatória na Carta Capital. Em seu texto, o professor diz que o filme “Wakanda Para Sempre”, dirigido por Ryan Cogler, sugere futuros inumeráveis, e menos óbvios, para os territórios africanos.
“Ainda que a obra dirigida por Ryan Coogler tenha um apelo comercial da franquia Marvel – com cenas repletas de ação e efeitos especiais –, ela traz muitas referências culturais, políticas e econômicas do continente africano sem incorrer na alegoria”
Em entrevista ao Seis e Um Podcast, Kauê faz outra análise interessante sobre o [necessário] filme do herói negro da Marvel.
Em tempos de internet com melhor velocidade e redes sociais bombando, a poesia negra vive dias de brilho e renascimento.
Recentemente, durante uma visita ao Terreiro do Pai X, no Jardim Tremembé (zona norte de SP), conheci o ótimo trabalho da tradutora, editora e poeta Lubi Prates. Autora do livro “Um Corpo Negro”, Lubi me contou que seu livro ganhou uma cuidadosa edição bilíngue (português/espanhol) pela editora Nueva York Poetry Press.
Nos hicimos más grandes
que un continente
agrupamiento de
kilómetros
de tierra
apenas con nuestros cuerpos
un sobre el otro
Além da versão em português, o livro também conta com edições em croata (“Crno Tijelo”) e francês (“Un corps Noir”). No site de Lubi, é possível encontrar camisetas com trechos de seus textos.



O cabeleireiro carioca Lucas Preto encontrou uma solução para acabar com a calvície entre os homens negros. Com uma técnica batizada de “baldlocs” [pronuncia-se baldilóquix], Preto tem conseguido levar os famosos dreadlocks (os clássicos penteados da cultura rastafari) para cabeças que antes ostentavam apenas o reflexo da luz.
Em seu perfil no Instagram, o cabeleireiro — que é dono da Afrocarioca Barberia (Santa Cruz/RJ) — explica que a técnica não faz uso de adesivos ou técnicas de colagem. Segundo ele, o tratamento é “feito com técnica de agulha, sem utilização de cola ou qualquer substância danosa ao coro cabeludo”.
Em entrevista para o “Jornal da Cultura” (TV Cultura), Preto disse que muita gente chora ao ser reencontrar com os cabelos. O tratamento para implantação dos dreadlocks dura, em média, seis horas. O empresário disse que pretende levar sua técnica inovadora para outros endereços ao redor do mundo.





